Acidentes causados por Serpentes x Agrimensura

Acidentes causados por Serpentes x Agrimensura

Publicado dia 6 de novembro de 2015

 

É muito comum pessoas que trabalham em zonas de concentração de vegetação, brejos e até mesmo áreas de seca, serem atacadas por serpentes peçonhentas. Mas afinal, o que vem a ser um animal peçonhento? Onde encontrá-los? Como prevenir acidentes e o que fazer em caso de extrema urgência? Estas perguntas e muitas outras serão respondidas ao decorrer deste artigo. Fique ligado! Estas informações são preciosas para todo o profissional que convive em um ambiente tão “calmo”.

 

Animais peçonhentos

Chamamos de peçonhentos todos os animais que além de venenosos, possuem um mecanismo especializado de inoculação, prejudicando a saúde do homem.

Dentre os diversos tipos de animais peçonhentos perigosos estão as serpentes, que em 80% dos casos a picada ocorre abaixo dos joelhos e 19% atingem mãos e antebraços.

Fonte da imagem: O autor (2015)

Acidentes causados por serpentes

No Brasil, as serpentes são responsáveis por uma grande quantidade de acidentes. Muitas vezes, de acordo com a quantidade de veneno introduzido no corpo, pode matar ou incapacitar o acidentado, quando não socorrido em tempo hábil e tratado de forma eficiente com a aplicação dos soros adequados.

Principais gêneros de serpentes

Jararacas (gênero Bothrops)

Fonte da imagem: Cláudio Dias Timm (03/01/2010)

Aproximadamente 90% dos acidentes com serpentes são desta espécie. Também são tradicionalmente conhecidas por “urutu”, “jararacuçu”, “jararaca do rabo branco”,“patrona”, “surucucurana”, “jararaca-pintada”, entre outros.Esta serpente pode ser encontrada em todo o território brasileiro, mas principalmente nas zonas rurais e periferias de grandes cidades, em lugares úmidos e em que haja roedores (paióis, celeiros, depósitos de lenha, etc.). Após ser picado por uma Jararaca, os sintomas tradicionais são: dor, inchaço e manchas arroxeadas na região da picada. Pode haver hemorragia (sangramento) no local, e em outras partes do corpo, como nas gengivas, ferimentos recentes e urina. É possível haver complicações, como infecção e necrose no local picado.

 

Surucucu (gênero Lachesis)

Fonte da imagem: Christopher Murray (27/04/2006)

A Surucucu é responsável por pelo menos 1,5% dos acidentes ofídicos registrados no Brasil. Também é conhecida por “surucucu pico de jaca”, “surucutinga”, “malha-de-fogo”, entre outros.

Esta serpente peçonhenta é a maior das Américas, medindo até 3,5 metros. Possui fosseta loreal, que é um órgão termo receptor vital para a sobrevivência da cobra. É por meio desta que percebe a presença de animais de sangue quente.

Pode ser encontrada em florestas densas, como na Amazônia e nas florestas da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro ao Nordeste.

Os sintomas após a picada desta serpente variam em dor e inchaço no local, sangramentos, vômitos, diarreia e queda da pressão arterial.

 

Cascavel (gênero Crotalus)

Fonte da imagem: Christopher Murray (27/04/2006)

A Cascavel é responsável por 8% dos acidentes ofídicos registrados no Brasil. Pode ser facilmente reconhecida pelo chocalho na ponta de sua cauda. Ela não tem por hábito atacar e, quando se sente ameaçada começa a balançar a cauda, de forma que produz um ruído do chocalho ou guizo. A maioria das espécies de Cascavel tem o veneno hemotóxico, que destrói tecidos, órgãos e interrompe a coagulação do sangue. É preciso estar muito atento com esta serpente, pois após sua mordida, mesmo com tratamento imediato pode levar à perda de um membro ou à morte.

Esta cobra pode ser encontrada em campos abertos, áreas secas, arenosas ou pedregosas. Também pode ser encontrada em algumas plantações como café e cana. Sua distribuição geográfica abrange quase todo o Brasil, com exceção da floresta Amazônica, zonas de Mata Atlântica e regiões litorâneas.

Alguns dos sintomas em caso de acidente são: dificuldade de respirar, paralisia, salivação, hemorragias, visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.

 

Coral (gênero Micrurus)

Fonte da imagem: Wayne Van Devender

A Coral ou “coral verdadeira” como é conhecida popularmente, é responsável por aproximadamente 0,5% dos acidentes ofídicos registrados no Brasil. São serpentes de médio porte com tamanho próximo a 1 metro. É muito importante estar atento com suas cores, pois existem serpentes não venenosas com colorações semelhantes a das corais verdadeiras. Estas são chamadas de falsas-corais.

Geralmente vivem no solo sob folhagens, ambientes florestais e próximo de água, buracos e entre raízes de árvores. Sua distribuição geográfica abrange todo o território nacional.

Ao ser picado por este tipo de serpente, tradicionalmente no local da picada não se observa alterações, contudo a vítima apresenta visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Também poderá ocorrer o aumento da salivação e insuficiência respiratória.

 

Como prevenir acidentes

Fonte da imagem: photodune.net

Primeiramente você deve saber que existe um disposto na Norma Regulamentadora Rural nº4, aprovada através da Portaria n° 3.06 de 12/04/1988 do Ministério do Trabalho, que obriga os proprietários rurais a fornecer gratuitamente aos empregados proteção para os pés, pernas, braços e mãos.

Aproximadamente 80% dos acidentes podem ser evitados utilizando botas de cano alto ou botinas com perneiras, luvas de couro cobrindo mãos e braços. É importante salientar que o uso de sapatos comuns, faz com que o porcentual de segurança caia de 80% para 30%.

Utilize luvas e se possível um pedaço de pau ou graveto quando for preciso mexer em folhas secas, madeiras, restos de vegetação, buracos, pedras e troncos. Esta atitude pode colaborar muito na prevenção de acidentes com serpentes.

Jamais segure uma serpente com as mãos. Ainda que estejam definitivamente mortas, suas presas continuam sendo um grande risco de envenenamento.

 

O que fazer em caso de acidentes

Fonte da imagem: photodune.net

 

Atenção! Situações como esta podem ocorrer e por isso é bom ter em mente alguns procedimentos básicos para amenizar os riscos. Vamos lá!

 

O que fazer:

 

  • 1 Em caso de picada, procure atendimento médico o mais rápido possível.
  • 2 Mantenha a pessoa picada deitada e em repouso.
  • 3 É importante evitar que o acidentado se locomova por seus próprios meios.
  • 4 Mantenha o membro picado mais elevado que o restante do corpo.
  • 5 Retire anéis, pulseiras e qualquer outro objeto que possa dificultar a circulação sanguínea.
  • 6 Lave o local da picada com água e sabão.
  • 7 Ao chegar o atendimento, seja específico, utilize seu conhecimento e fale qual a serpente que lhe atacou, pois o soro para neutralizar os efeitos da picada são específicos para cada serpente. Por exemplo: o soro antibotrópico para picadas de Jararaca não é eficaz para picadas de Cascavel (deve ser o soro anticrotálico) ou de Coral (soro antielapídico).

 

O que não fazer:

 

  • 1 Não amarre o braço ou a perna acidentada. O torniquete, ou garrote além de dificultar a circulação do sangue não impede que o veneno seja absorvido pelo corpo e pode gerar necrose ou gangrena.
  • 2 Não corte o local da picada. Existem venenos que podem desenvolver hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue.
  • 3 Não adianta chupar ou lamber o local da picada. Após a picada é impossível retirar o veneno do corpo, pois ele entra imediatamente na correlabelnte sanguínea. Aliás, é bom saber que chupar o local pode até piorar a situação da picada.
  • 4 Não coloque folhas, pó de café, querosene, fezes, terra e outras substancias no local da picada, pois estas atitudes não irão impedir que o veneno vá para o sangue. Pelo contrário, podem provocar uma infecção.
  • 5 Não permita que o acidentado beba substâncias tóxicas como o álcool e querosene, que além de não ajudarem a neutralizar a ação do veneno, podem causar intoxicação.

Estes são conhecimentos básicos que todo Agrimensor deve saber, pois serpentes peçonhentas como estas estão na maior parte dos lugares em que trabalhamos diariamente. É muito importante seguir estes passos rigorosamente para amenizar os riscos e em caso de acidentes até salvar nossa própria vida ou de companheiros de serviço.

Se você já passou por situações complicadas como estas, deixe aqui seu comentário! Suas experiências são muito importantes para nós!

 

Fontes:

BENSEÑOR, Isabela; LOTUFO, Paulo. Tratamento e Prevenção. Disponível em: http://viagem.hsw.uol.com.br/acidentes-com-animais-peconhentos-serpentes4.htm. Acesso em: 03 de maio de 2014.

BRAZILIAN SNAKES. Bothrops Jararaca. Disponível em: http://www.brazilian-snakes.com/bothrops_jararaca.html. Acesso em: 02 de maio de 2014.

ROMANZOTI, Natasha. As 10 cobras mais venenosas do mundo, 2011. Disponível em: http://hypescience.com/as-10-cobras-mais-venenosas-do-mundo. Acesso em: 03 de maio de 2014.

YAMASHITA, Rosa Yasuko; WEN, Fan Hui, 2001. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos. Disponível em: http://www.fundacentro.gov.br. Acesso em: 03 de maio de 2014.

  • Willian Abreu de Oliveira
  • 06/11/2015 10:08:40
  • 3115

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